Bitcoin: como funciona o Blockchain

Felipe Machado
Co-founder & CTO da SmarttBot.

Nesse post explicaremos um pouco sobre o Blockchain e a forma como ele é utilizado.

Não estamos falando sobre nenhum bicho de sete cabeças, essa tecnologia é aplicada por trás de várias criptomoedas, incluindo o Bitcoin. Com a leitura desse conteúdo você vai entender melhor como o Blockchain é empregado nesta moeda digital.

O que é Blockchain?

O blockchain nada mais é que uma lista de todas as transações de bitcoin feitas desde a criação da moeda. Essas transações são agrupadas em blocos, e cada bloco tem uma referência ao seu bloco anterior, formando assim uma cadeia. Daí o nome: block (bloco) + chain (cadeia/corrente). Cada transação tem uma origem e um destino, com cada um sendo o identificador de uma carteira, e essa lista de transações é o que determina quantos bitcoin cada carteira possui. Dessa forma, a “custódia” dos bitcoins está no blockchain, e não na carteira. O que determina quantos bitcoins uma carteira possui é o histórico de transações no blockchain.

Como funciona o blockchain

E quem controla esse blockchain? Afinal, o controlador tem o poder sobre quantos bitcoins cada carteira possui. Mas justamente aí entra um dos principais conceitos e talvez a principal força do bitcoin: a descentralização. Ninguém controla o blockchain sozinho. O blockchain é determinado em consenso pela rede do bitcoin, que consiste de qualquer um que queira fazer parte, basta configurar o software apropriado em sua máquina e se conectar com outros nós dessa rede. Hoje a rede do bitcoin tem aproximadamente 12 mil nós.

Mas então o que é uma carteira? No blockchain, uma carteira é simplesmente um par de códigos que identificam a carteira, e que qualquer um pode gerar, basta utilizar o software apropriado (existem vários disponíveis na internet, incluindo um oficial).

Mas como eu faço para transferir um bitcoin (ou uma fração de bitcoin) da minha carteira para outra? E porque outros não podem forjar transações em meu nome?

É utilizada uma técnica de criptografia onde cada carteira consiste de duas partes: uma chave pública (que também é o identificador da carteira) e uma chave privada (que somente o dono da carteira deve ter acesso). O dono da carteira gera um código de autenticação a partir dos dados da transação (como origem, destino e quantidade a ser transferida) utilizando a chave privada. Qualquer um pode verificar, utilizando a chave pública, que o código fornecido na transação corresponde aos dados da transação, e portanto ela é válida. As propriedades matemáticas dessa técnica, garantem que o código gerado utilizando a chave privada seja possível de ser verificado através da chave pública, e faz com que seja extremamente difícil criar esse código sem saber a chave privada (muitos bilhões de anos utilizando os processadores mais rápidos).

Já vimos então que somente o dono de uma carteira pode criar uma transação a partir daquela carteira. Mas como podemos adicionar uma transação no blockchain? Como cada nó na rede do bitcoin deve ter uma cópia idêntica de todo o blockchain, se dois nós resolverem adicionar uma transação ao mesmo tempo, a rede deve atingir um consenso sobre qual transação vai ser adicionada primeiro.

É aqui que entra o conceito de mineração. Para evitar que cada nó adicione novas transações a cada momento, dificultando a sincronização entre todos, as transações são agrupadas em blocos. Um minerador de bitcoin escolhe as transações propostas na rede e cria um bloco, e para adicionar esse bloco no blockchain, para que os outros nós aceitem, ele deve gerar um código matemático (um hash) a partir dos dados do bloco. Esse código deve ter certas características que fazem com que seja necessário muitos cálculos para gerá-lo, e a dificuldade é ajustada automaticamente pela rede para que em média alguém consiga gerar um bloco a cada 10 minutos. Isso exige um investimento em termos de processamento computacional para que então um bloco seja adicionado, facilitando a sincronização de blocos na rede, pois haverá somente um novo bloco a cada 10 minutos em média. Quando um novo é gerado e aceito pela rede, todo outros blocos que estavam sendo gerados se tornam inválidos pois a ponta do blockchain mudou.

O incentivo para que alguém queira fazer essa mineração vem de 2 fontes: a geração de novos bitcoins e as taxas de transação. A geração de novos bitcoins ocorre a cada novo bloco, onde o minerador recebe por ter gerado aquele bloco uma certa quantidade de bitcoins. Essa quantidade é reduzida pela metade a cada 210 mil blocos, e atualmente está em 12,5 bitcoins por bloco gerado. O outro incentivo vem das taxas de transação. Cada transação oferece uma taxa (especificada na própria transação) para o minerador que incluir aquela transação em um bloco adicionado no blockchain. Essas recompensas já vem especificadas no bloco e portanto são automaticamente recebidas pelo minerador quando o bloco é incluído no blockchain.

E afinal, como eu compro um bitcoin? Através de um exchange de bitcoin. Um exchange é uma empresa que permite que seus clientes negociem ativos entre si, e em um exchange de bitcoin o ativo é o próprio bitcoin. Existem várias exchanges de bitcoin no mundo e até no Brasil, que permitem negociar bitcoin utilizando o real. O preço varia conforme as ofertas de compra e venda enviadas pelos usuários do exchange, que atualmente apresenta uma alta volatilidade. Por isso, muitos pensam que o ideal seria ter uma forma automatizada (como a SmarttBot funciona para a B3) de operar bitcoins, mas por enquanto só existem plataformas fora do Brasil, como a SFox, e que automatizam operações de execução.

A estratégia mais comum no bitcoin atualmente é o Buy & Hold, ou seja, comprar e esperar o bitcoin valorizar. Mas ainda há muito debate sobre o futuro do bitcoin, se ele irá se estabelecer como a moeda digital do futuro ou se é uma moda passageira, portanto o bitcoin ainda é considerado um investimento de alto risco. E mesmo entre os que acreditam que o bitcoin irá continuar se fortalecendo até se estabelecer no mercado, ainda há dúvida sobre em qual preço ele irá se estabilizar.

Sobre o autor:

Felipe Machado, Co-founder & CTO da SmarttBot.
Mestre em Ciência da Computação pela UFMG. Além de tecnologia, também é apaixonado pelo mercado financeiro e Kung Fu.

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